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A História de Arpi

Há muitos, muitos anos atrás, talvez bem uns trezentos anos, nasceu ARPI numa cidade muito longe daqui, na Alemanha. Lá fazia muito frio e chovia muito e, no dia em que nasceram, ARPI e seus irmãos devem ter sentido muito frio. A família de ARPI era muito grande, com muitos irmãos, que iam nascendo a cada dia, alguns muito altos e gordos, outros bem baixinhos e magros, uns cantavam baixo e outros tinham vozes que até pareciam patos! Alguns tinham a voz muito grossa e outros pareciam apitos! Demorou muito tempo para a família ficar completa, mas quando esse dia afinal chegou lá estavam todos eles: ARPI e seus 1038 irmãos!

Como todo mundo precisa morar em algum lugar, ARPI e seus irmãos receberam uma bela casa e, como família muito bem organizada, andavam sempre em fila (com tantos irmãos tem que ter fila para organizar melhor!). Os menorzinhos até chegaram a reclamar, porque nessa casa a fila dos maiores ficava na frente e de lá de trás não dava para ver nada, mas no final acabaram se acostumando e achando tudo muito bom, ou melhor, quase tudo, menos o frio!

Num dia daqueles, quando estava garoando lá fora e o céu estava bem cinza, começou a circular uma conversa na família de ARPI. Começou, claro, lá pela frente com os irmãos maiores e demorou um pouco até chegar atrás até a fila do ARPI, mas quando chegou foi um grande sucesso: vamos nos mudar para Portugal, lá é bem mais quente e faz muito sol! Os maiores começaram a querer saber onde era esse Portugal, se a viagem não era muito longa, quem iria fazer o transporte (para os irmãos maiores tudo isso era muito importante), mas nas filas de trás a alegria era geral: lá faz muito mais sol! Como combinado, algum tempo depois a família de ARPI se mudou, todos viajaram em pacotinhos bem embalados e macios (até que lá estava bem quentinho…) e foram carregados com muito cuidado; para evitar maiores problemas, levaram a casa junto.

Em Portugal, aos poucos a casa foi montada e os irmãos foram indo a cada dia para a sua fila certa, de novo ARPI e a turminha de trás acharam pena não poder ficar na frente e ver bem o que acontecia quem entrava e saía e como eram as pessoas, mas os irmãos maiores contavam alguma coisa, dizendo que o pessoal de Portugal parecia muito bom, mas falava muito diferente do que eles estavam acostumados na Alemanha. O pessoal das filas de trás ouvia tudo com muita atenção e aproveitava a hora da conversa para sentir o calor e olhar para o sol. A família tinha muito trabalho, muitas vezes ao dia tinham que cantar, prestando muita atenção de fazer tudo na hora certa. No começo ARPI ficava muito nervoso a cada apresentação, mas aos poucos foi ficando cada vez mais calmo, porque sabia que era craque no que fazia. Depois de muitos anos lá em Portugal um dia passou alguém pela parte de trás da casa e ARPI ouviu o comentário: precisamos
empacotar tudo para a mudança para o Brasil, espero que eles aguentem o calor! Aí ARPI ficou muito orgulhoso; pela primeira vez as filas de trás ficaram sabendo a notícia primeiro e logo todo mundo estava comentando a novidade: vamos para o Brasil, dizem que lá faz muito sol e calor e que todo mundo lá gosta de música!

Tudo, ou melhor, todo mundo foi empacotado, e como sempre, por segurança a família levou a casa junto. A viagem dessa vez foi muito longa, não teve pacotinho macio que ajudasse, tudo chacoalhava muito e os mais entendidos disseram que era porque estavam no mar, claro que a outra metade queria saber o que era isso, mas daí o pessoal desconversou… Devia ser mar mesmo, já que alguns da família até enjoaram. Depois de muito, mas muito tempo mesmo chacoalhando, de repente mudou alguma coisa, continuaram a viajar, mas parecia que era sempre subida e descida e de novo algum mais esperto disse que estavam andando de carro de boi.

Após alguns dias ARPI saiu do seu pacotinho, percebeu logo que realmente ali fazia muito sol e calor, esse era uma delícia! Enquanto esperava para entrar na sua fila, foi dando uma olhada em volta, o lugar aonde iam morar parecia bem novinho, um canto especial para a casa deles, bem alto, talvez mesmo das filas de trás desse para ver alguma coisa lá embaixo. Parece que vou gostar daqui, pensou ARPI.

O dia da estréia chegou a família de ARPI fez muito bonito, cada um cantou na hora certa e todos estavam muito bem afinados. Dessa vez não só ARPI, mas até mesmo os irmãos maiores confessaram que estavam muito nervosos com tanta gente olhando lá embaixo. Com o passar dos dias foram todos se acostumando e, quando não estavam trabalhando ouviam as histórias dos irmãos da frente, que diziam que o pessoal dali era muito bom, sorria quase sempre e falava muito parecido com os outros de Portugal. ARPI, lá atrás na sua fila, se ajeitava no seu lugarzinho, olhava para as montanhas e pensava consigo: quero
ficar para sempre aqui, as montanhas são lindas e aqui faz muito,
muito SOL!

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Texto: Josinéia Godinho
Ilustrações: Cristiano Casimiro dos Santos