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Praça da Sé, década de 30.
Bico de Pena de José Pio
Catedral da Sé de Mariana

Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, Mariana ou Sé Catedral de Mariana. A atual paróquia data de 1704, sendo a Capela da Beata Virgem Maria do Monte Carmelo o único templo do arraial até cerca de 1711, quando, em virtude da elevação do mesmo à categoria de vila, a igreja recebe o título de matriz dedicada à Nossa Senhora da Conceição.As obras de construção deste templo foram realizadas na administração do governador Antônio Francisco de Albuquerque (1710-1713), sendo que em 1734 uma nova arrematação foi contratada para a execução dos trabalhos da fachada e das torres.

Em 1745 a Diocese de Mariana foi criada, por bula papal, elevando a vila à categoria de cidade e a matriz à de catedral, dedicada a Nossa Senhora da Assunção. Essas mudanças de padroeira seguem uma tradição luso-brasileira, em que a maioria das matrizes é dedicada a Nossa Senhora da Conceição e, nos bispados, as Catedrais são dedicadas a Nossa Senhora da Assunção.

O primeiro bispo Dom Frei Manuel da Cruz, ao assumir em 1748, constata a necessidade de acabamento da catedral, ressaltando a colocação do forro e a pintura interior. Entre 1751 e 1760 foram feitos diversos trabalhos entre eles a construção da capela do Santíssimo Sacramento e a arrematação do reboco. Em 1753, o Órgão Arp Schnitger chega a Mariana . Os trabalhos de assentamento dele na Sé são conduzidos por Manuel Francisco Lisboa que para isso construiu a varanda onde ele se localiza, anexa ao coro.

A Sé Catedral de Mariana apresenta um traçado arquitetônico bastante modesto, lembrando algumas construções jesuíticas do litoral do Brasil Tem a planta baixa retangular, assim como as suas fachadas e denota um acentuado gosto clássico representado de forma ainda mais clara pela fachada principal arrematada por uma frontaria triangular ladeada por duas torres sineiras. A exuberância barroca fica reservada para o seu interior, ricamente dourado e policromado.

Apesar de ter sido alvo de constantes reparos nos 30 anos seguintes, em 1798, a Catedral se encontrava em péssimo estado, sendo necessária a reconstrução das paredes externas e do telhado. Isto foi feito seguindo o traçado original, mas substituindo as paredes de taipa por pedra e cal.

Entre 1978 e 1984 foram realizados trabalhos de restauração incluindo o engradamento da capela-mor, telhado, arco-cruzeiro e torres, revisão das instalações elétricas, restauração do revestimento dos pilares, do forro da nave principal, mudança do piso de ladrilhos para assoalho de madeira e pintura interna e externa.

Germain Bazin em sua obra “Arquitetura religiosa barroca no Brasil” descreve a disposição interna da catedral da seguinte forma:
” A Sé de Mariana apresenta um planta excepcional, com sua nave principal limitada por duas naves laterais, encimadas por tribunas, enquanto que a capela-mor é cercada por corredores sem tribunas. A sacristia fica no fundo. Apresenta um transepto formado por dois braços de cruzeiro, inscritos, bem profundos e da mesma altura da capela-mor. A decoração arquitetônica da igreja apresenta vários estágios bem distintos. Numa primeira fase os pilares e os arcos foram revestidos com apainelados de madeira lisos, compondo uma bela ordem toscana com cornijas salientes. Este nobre décor subsiste integralmente na nave central, tendo sido sem dúvida executado durante os trabalhos de 1734. A ornamentação do cruzeiro, mais rica, é de ordem compósita (combinação entre os capitéis jônicos e coríntios) e pertence a um período posterior. Evidentemente, quando a matriz foi elevada a catedral, quiseram tornar mais rico o santuário que abrigaria a partir de então a sede episcopal. Assim a capela-mor foi dividida em dois tramos por consolos muito ruços de ordem compósita, que sustentam os pendentes de duas cúpulas de pouco relevo, de madeira. Sobre estas cúpulas foi pintada uma decoração arquitetônica abrigando duas vezes quatro santos cônegos. A data na qual o trabalho foi concluído nos é fornecida pelo contrato de pintura das duas cúpulas que foram confiadas, bem como a do teto da nave central, a Manuel Rabelo de Sousa … …em 1760. No mesmo ano, Manuel Rabelo de Sousa havia firmado contrato para a pintura no todo interior e o douramento dos altares laterais. …”

Como destaques na decoração da Sé apontamos as duas falsas cúpulas da capela-mor, os dois enormes retábulos do transcepto, um dedicado à Nossa Senhora do Rosário e outro a São Miguel e Almas, ambos atribuídos ao entalhador português Francisco Xavier de Brito, além do tapavento na entrada, de Francisco Vieira Servas e das obras do batistério: a pia, em pedra da autoria de José Pereira Arouca, cuja tampa foi esculpida também por Francisco Vieira Servas e o painel representando o Batismo de Cristo da autoria de Manoel da Costa Athaide.

Texto de Josinéia Godinho, sob orientação do Prof. José Arnaldo Coelho.